O período de seca no centro-oeste traz uma outra preocupação além da baixa umidade: o aparecimento de carrapatos. Algumas espécies são responsáveis pela transmissão de doenças e, no Brasil, especialmente as do gênero Amblyomma são vetores importantes da febre maculosa. O popular carrapato estrela faz parte desse grupo.

Para prevenir a infecção, a Vigilância Ambiental em Saúde monitora os ambientes com infestação de carrapatos, realizando a coleta e a identificação da espécie. Além disso, orienta a população com medidas preventivas para impedir a ocorrência de carrapatos e de picadas. Os carrapatos coletados são enviados ao Laboratório de Referência Nacional em Vetores das Riquetsioses do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) para pesquisar a presença das bactérias responsáveis pela doença. Os principais hospedeiros desse tipo de carrapato são as capivaras, os cavalos e os cães.
O biólogo Israel Martins explica que o trabalho da Vigilância Ambiental dá-se no âmbito da educação e orientação. “Não aplicamos inseticidas no ambiente e nos animais. Até porque o uso de carrapaticidas no ambiente não é recomendado por ser uma medida de controle pouco eficaz, principalmente se utilizada como única estratégia de controle. Além disso, o uso de carrapaticida é nocivo a outros animais invertebrados e pode ser um contaminante da água e solo”, informa Israel que esclarece que a utilização de produto químico só deve ser feita na situação de grande infestação em áreas com a transmissão da febre maculosa.
A recomendação é para que os carrapaticidas sejam usados apenas em hospedeiros como os cães, equinos e bovinos, mas com a supervisão de um médico veterinário. O controle nos animais deve ser feito junto com o manejo da vegetação, isto é, a manutenção da vegetação baixa o suficiente para não servir de abrigo para os carrapatos.
“No caso de capivaras, um importante hospedeiro de carrapatos, o uso de barreiras físicas, como cercas, pode impedir a disseminação de carrapatos nas residências”, recomenda o biólogo.
O monitoramento realizado pela Vigilância Ambiental é uma atividade de rotina para acompanhar a circulação das bactérias, responsáveis pela febre maculosa, nos hospedeiros e ambiente.
Entenda o ciclo de transmissão da doença:

Prevenção
Além dos cuidados no controle da população de carrapatos, a prevenção também pode ser feita com cuidados pessoais simples. O uso de roupas claras ajuda a identificar o carrapato, já que ele é mais escuro. É recomendado o uso de calças, botas e blusas com mangas compridas ao caminhar em áreas arborizadas ou com grama. Evitar andar em locais com grama ou vegetação alta e sempre usar repelente contra insetos.
Quem tiver animal de estimação é recomendado verificar se há presença de carrapatos sempre que o animal ficar exposto à área de risco, além de fazer um autoexame no próprio corpo.
Remoção
Para remover o carrapato é recomendado o uso de uma pinça, pegando com cuidado para retirar todas as partes do carrapato. Não se deve apertar ou esmagar. Depois, lavar com álcool ou água e sabão o local onde o carrapato picou.
Ocorrência
Mais comum nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, somente três casos de febre maculosa foram registrados no Distrito Federal, sendo um caso em 2005, outro em 2006 e o terceiro em 2016, conforme os dados do Ministério da Saúde. Nenhum óbito foi registrado nesse período. É uma doença infecciosa, febril e pode variar desde as formas clínicas leves e atípicas até formas graves, com possibilidade de morte. A bactéria que causa a febre maculosa é a Rickettsia.
A transmissão da bactéria para humanos acontece enquanto o carrapato suga o sangue para se alimentar, liberando saliva que infecta a corrente sanguínea. Para que isso aconteça é necessário que o carrapato fique grudado na pessoa de 4 a 6 horas. Os sintomas aparecem entre o segundo e o décimo quarto dia da contaminação, mas a doença não é transmitida de uma pessoa para outra.
Sintomas
Os principais sintomas da doença são febre alta, dor de cabeça intensa, náuseas e vômitos, diarreia e dor abdominal, dor muscular constante. Além disso podem aparecer inchaço e vermelhidão nas palmas das mãos e sola dos pés, gangrena nos dedos e orelhas, paralisia dos membros que se inicia nas pernas e vai subindo até os pulmões causando paragem respiratória.
Diagnóstico
A febre maculosa não é de fácil diagnóstico, pois os sintomas iniciais parecem-se com o de outras doenças como a leptospirose, dengue, hepatite viral, entre outras. O médico deverá solicitar exames que apontem a doença para o início do tratamento precocemente. A falta ou demora no tratamento da Febre Maculosa pode afetar o sistema nervoso central, os rins e pulmões, com risco de morte.
Tratamento
Ao sentir os primeiros sintomas o paciente deve buscar uma unidade de saúde e iniciar o tratamento o mais rápido possível. Ele é feito com antibióticos específicos. Em determinados casos, pode ser necessária a internação da pessoa, conforme avaliação médica.
Crime ambiental
A Secretaria de Saúde enfatiza que todo o manejo das áreas e animais com carrapatos deve ser acompanhado de um profissional e em nenhuma hipótese o animal deve ser abatido indiscriminadamente. Tanto os maus tratos ou morte de animais domésticos e silvestres são crimes previstos em lei.
Conforme o artigo 32 da Lei nº 9.605/98, considera-se crime qualquer tipo de abuso, maus-tratos, ferimentos ou mutilações aos animais domésticos, prevendo punição, ao agente, de detenção de três meses a um ano, além da multa.
Já a lei que rege a questão dos animais silvestres encontra-se no Artigo 29 da Lei nº 9.605 de 12 de Fevereiro de 1998 e diz que “matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida resulta em detenção de seis meses a um ano, e multa”. A capivara é um animal silvestre e protegido por lei.
Leia a matéria no site: http://www.saude.df.gov.br/incidencia-de-carrapatos-aumenta-no-periodo-de-seca/
Artes da matéria em anexo – Crédito: Rafael Ottoni